Por que eles somem?

É impressionante a quantidade de mensagens que recebemos de mulheres que se queixam do “sumiço” dos homens. Algumas contam que costumavam conversar via MSN ou telefone quando, de uma hora para a outra, eles pararam de procurá-las, não respondem mais mensagens e não atendem mais celulares.

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Outras, ainda mais indignadas, relatam que chegaram a conhecer o rapaz pessoalmente, às vezes encontraram mais de uma vez e, de repente... Puft! Ele sumiu! Em quase todos os casos elas dizem que tudo parecia bem, os dois se entendiam, tinham diversos pontos em comum e tudo se encaminhava para se transformar em uma relação mais séria.

Todas essas mensagens, é claro, terminam da mesma maneira: elas perguntam por que eles agem assim. É evidente que dar uma explicação que se adeque a todos os casos seria impossível, pois em cada um deles há variáveis infinitas. Minha difícil missão será, então, tentar lançar alguma luz sobre a questão, para ao menos podermos começar a pensar sobre esse comportamento, tão estranho aos olhos das mulheres.

Em primeiro lugar, gostaria de abordar um assunto que a princípio parece não ter qualquer relação com nosso tema, mas que se conecta diretamente com ele. Homens e mulheres são diferentes, isso é fato notório e percebido com facilidade. Mas não são diferentes apenas por razões genéticas ou anatômicas, mas principalmente culturais. Ainda que hoje em dia muita coisa já tenha mudado, meninos e meninas são criados de maneira diferente, e isso tem consequências quando nos tornamos adultos. Aliás, é importante ressaltar que essa diferença não é boa ou ruim, é apenas um fato.

Assim, desde cedo incentivamos as meninas a brincarem de bonecas e o “enredo” da brincadeira geralmente gira em torno de uma família: ela é a mãe que cuida de seu bebê, há algum encarregado de fazer o papel de pai e ocasionalmente há também alguns coadjuvantes na história. E os meninos, como brincam? Geralmente a eles são dados carrinhos, bonecos personagens de desenhos ou séries de TV, entre outros.

Não que eles não gostem de brincar de bonecas tanto quanto as meninas, mas isso dificilmente é incentivado pelos pais. Não se trata portanto de um gosto “inato” por bonecas ou carrinhos. São os adultos quem dizem como as crianças devem brincar, e elas acabam tomando gosto pelo que lhes é dado. E o que estamos dizendo aos nossos filhos com isso? Meninas brincam de ser mães, de terem uma família, e meninos brincam de carrinho, de luta etc.

Por que estou falando sobre a infância se nosso assunto é “de gente grande”? Porque tudo começa quando somos crianças. As brincadeiras das meninas nos encaminham para vermos os relacionamentos afetivos como um valor, como algo importante em nossas vidas. Brincamos de ter filhos, de estarmos grávidas, de termos um marido, de cuidarmos da casa. Brincamos de casar, sonhamos com um casamento lindo, de conto-de-fadas. E os meninos não. Os pais vislumbram seus filhos pequenos como alguém que terá muitas namoradas e fará sucesso entre as mulheres, mas esperam que suas filhas sejam mocinhas “direitas”.

Por esses e muitos outros motivos, quando finalmente crescemos, nós, mulheres, buscamos um relacionamento. Saímos, ficamos, paqueramos, namoramos, transamos, mas dificilmente abandonamos a ideia de termos alguém com quem nos casaremos e passaremos o resto da vida juntos. É claro que os homens também têm esse desejo, porém ele não é um desejo primário. Mulheres querem se casar e buscam alguém para isso. Homens querem se casar porque conheceram alguém de quem gostaram. São caminhos opostos, que felizmente acabam terminando no mesmo lugar.

Evidentemente nada disso deve ser tomado ao pé da letra ou como uma “regra”, já que estamos fazendo uma generalização que pode não se aplicar a todos. Outro dia, conversando com um amigo, ele me disse algo que faz bastante sentido. Uma mulher costuma paquerar buscando um relacionamento. Um homem faz o mesmo buscando sexo. Quando um homem olha para uma mulher, ele geralmente não pensa: “vou ter com ela um relacionamento”. É mais provável que pense “quero transar com ela”. Parece haver prioridades diferentes para cada gênero. Novamente, cada um faz um caminho, que pode acabar chegando ao mesmo ponto: um relacionamento geralmente envolve o sexo, e o sexo pode levar a um relacionamento.

Já entendemos que há entre homens e mulheres diferenças significativas, mas o que tudo isso tem a ver com o nosso tema inicial, o sumiço dos homens? Alguns possivelmente desaparecem quando se deparam justamente com a diferença de perspectivas entre eles e elas.

Talvez um exemplo caricato deixe as coisas mais claras. Maria e João se conhecem pelo ParPerfeito, começam a se falar, um belo dia se encontram, se entendem, tudo conforme manda o figurino. Maria pensa: “acho que finalmente encontrei o homem da minha vida! Tenho que agarrar essa oportunidade, pois igual a ele tá difícil de encontrar!”. João pensa: “poxa, Maria é uma menina muito bacana, tomara que seja boa de cama”. Eles saem uma, duas, três vezes, acabam indo para a cama e continuam saindo.

Maria tem certeza de que, como tudo vai bem, João está perdidamente apaixonado e a pedirá em casamento em breve. João gosta de Maria e gosta do sexo que fazem, mas não tinha planejado se envolver, não havia pensado que o relacionamento ficaria sério. Sentindo-se pressionado por ela (ainda que Maria busque não falar muito no assunto para não “espantá-lo”) e assustado com a perspectiva de namorarem, João se desespera e não sabe o que fazer. Não ensinaram a ele a falar sobre seus sentimentos. Ele não sabe que bastaria dizer: “olha, Maria, estou me sentindo inseguro com os rumos que nossa relação está tomando”. Aliás, ele sequer pensaria em dizer isso.

Enquanto Maria, enquanto criança, treinava falar sobre seus sentimentos na brincadeira de casinha, João aprendeu outras coisas certamente muito importantes, mas não aprendeu a falar do que sente. Com medo do namoro e com medo de magoar Maria, o rapaz simplesmente desaparece. Não procura, não manda mais mensagens, torpedos, não telefona... E deixa Maria sem entender nada.

Essa historinha rápida e aparentemente boba se repete todos os dias, com muitos elementos a mais, é claro. O sumiço pode não ser, portanto, uma solução madura, mas também não é motivada pela crueldade masculina e não significa que todos os homens são “cafajestes”. Pode ser a única maneira que eles encontram de conseguir lidar com suas dificuldades. Se para nós, mulheres, falar sobre o que sentimos e até terminar relações é algo não tão complexo, para os homens tudo é muito diferente e eles podem se sentir em um beco sem saída.

Diante de tudo isto, o que fazer, já que todas essas ideias parecem deixar a nós mesmos em um beco sem saída? Em primeiro lugar, uma dica para as mulheres: tenham calma! Ele é especial, maravilhoso, atencioso e o sexo é ótimo, mas ele não é o único nem o último. Você não precisa agarrá-lo com unhas e dentes e não deixá-lo escapar, pois é justamente isso o que mais os assusta e os faz querer sair da relação. Tente não pular etapas, não é preciso pensar no namoro com alguém que você acabou de conhecer. Pense primeiro em conhecê-lo, em curtir a novidade, em aproveitar os momentos juntos. Se ou quando for o caso, você pensará no namoro!

Finalmente, uma dica para os homens: é melhor dizer qualquer coisa, dar qualquer desculpa, a simplesmente desaparecer. Se você tem medo de magoá-la, saiba que magoará muito mais simplesmente desaparecendo. E tem mais: você não precisa ser um poço de segurança, pode falar dos seus medos, das suas inquietações e de seus incômodos. Pode dizer que acha que ela está indo rápido demais ou que não havia pensado ou planejado ter uma relação séria.

Espero que todas essas reflexões e dicas ajudem homens e mulheres a chegarem ao mesmo lugar, ainda que o caminho de cada um seja muito diferente!

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