Menstruação: Um assunto polêmico

A menstruação é, de fato, um assunto bastante polêmico. Você sabia que menstruar é um fenômeno da mulher moderna? É! As nossas tataravós menstruavam muito pouco ou não menstruavam.

Que tal fazer uma conta juntos? Há 200 anos, a primeira menstruação da mulher acontecia entre 15 e 17 anos e acabava entre 42 e 45 anos. São mais ou menos 25 anos de ciclo.

A mulher de hoje, por sua vez, inicia a menstruação entre 10 e 2 anos e para entre 48 e 52 anos. São cerca de 40 anos de ciclos!

Há, sem dúvida, uma grande diferença. Como não existiam antibióticos e vacinas, a medicina pouco conhecia sobre as doenças, havia um alto índice de mortalidade entre os recém-nascidos. De cada 10 crianças nascidas, apenas três a cinco conseguiam sobreviver.

Por isso, as mulheres engravidavam em média dez vezes. 10 gestações= 90 meses.

Um ano de amamentação, em média 120 meses. 90 + 120 = 210 meses.

Ou seja, eram 17,5 anos sem menstruar, em um total de 25 anos de ciclos, porque na gravidez e na amamentação não se menstrua.

Já a mulher moderna, nos seus 40 anos de ciclos, engravida, em média, apenas duas vezes, e amamenta durante cerca de seis meses. Resultado: são apenas 2,5 anos (30 anos) sem menstruar, em um total de 400 a 500 ciclos.

A menstruação é aliada ou vilã?

O ciclo menstrual é uma preparação para a gravidez. Todo santos mês o corpo da mulher faz uma tentativa nesse projeto. Anos atrás, o número de mulheres era menor (porque muitas morriam de parto) do que o de homens, ou seja, o assédio dos machos era constante e elas cumpriam o seu papel na reprodução.   

As mulheres viviam grávidas e nossa cultura reprimia todo o seu potencial de prazer no sexo.

Hoje as mulheres ganharam, em uma luta histórica, autonomia e liberdade para exercitar o sexo com anticoncepcionais modernos para evitar a gravidez. Ou seja, hoje já muitos ciclos e pouca gravidez. Aí aparecem as doenças do ciclo: cólicas menstruais graves,  TPM, endometriose.

Ganha-se aqui, perde-se lá.

Para felicidade e comodidade da mulher, a ginecologia moderna tem instrumentos para ajudá-la com esses problemas.

Para quem não tem problemas com o ciclo, ótimo! Mas para a mulher que sofre com dores, nervosismo, inchaços, perda de controle e está sujeita a infertilidade pela endometriose, o tratamento atual é suspender a menstruação. Por isso, não se assuste se algum ginecologista lhe propuser esse tratamento.

Menstruar ou não menstruar é um assunto que precisa ser esclarecido de forma clara:

1 - Na gravidez e na amamentação a mulher naturalmente não menstrua.

2 - A pílula anticoncepcional funciona como um mecanismo “imitando a gravidez”.

3 - Isso significa que os hormônios das pílulas foram aprimorados e hoje conseguem em “dose baixa” bloquear o que a gravidez só consegue com doses altíssimas de hormônios.

4 - A menstruação é bloqueada pela gravidez porque o que realmente está sendo bloqueado é a “ovulação” (não interessa a natureza liberar um óvulo se a mulher já esta grávida).

5 - Então é simples, vamos pensar juntos. Se menstruar só existe com a prévia ovulação, então não podemos confundir sangramento vaginal com menstruação.

6 - Como o mecanismo de funcionamento da pílula é bloquear a ovulação, fica óbvio que, quando você suspende por sete dias a pílula e sangra, não é menstruação. Ou seja, é um sangramento porque suspendeu a pílula e isso gera uma falsa impressão de menstruação.

7 - Então fica fácil entender. Quem usa anticoncepcional oral (pílula) há 20 anos e sangra a cada 28 dias, não menstrua há 20 anos, sangra um vez por mês, mas não é menstruação porque não ovulou (repito: a pílula, como a gravidez, bloqueia a ovulação).

8 - Então podemos dizer, pelo número altíssimo de mulheres no mundo que usam pílula, que a imensa maioria das mulheres não menstruam.

9 - Os implantes funcionam como pílulas modernas. São colocados sob a pele e liberam hormônio, então funciona como uma pílula sem parar os sete dias e com a diferença de não passar pelo estômago, não passar pelo fígado e não haver problemas do “esquecer de tomar” ou atrasar o horário do uso diário.

* Malcolm Montgomery é ginecologista em São Paulo e foi convidado para escrever neste espaço

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