Gravidez depois dos 40 anos: cuidados e prevenções

Segundo dados divulgados pelo IBGE em dezembro de 2013, as mulheres têm adiado a maternidade. A influência da ascensão profissional e do desejo de crescimento no mercado de trabalho tem feito mulheres de classes média alta, cada vez mais, optarem ter filhos entre os 30 e 40 anos. Nessa idade geralmente elas já estão com sua vida profissional em ordem e gozam de estabilidade financeira.

Mas levar adiante uma gravidez aos 40 anos pode trazer alguns riscos e preocupações extras. Para falar sobre os cuidados e tirar as dúvidas de mulheres que estão ou pretendem engravidar nessa fase da vida conversamos com o Dr. Jurandir Piassi Passos, ginecologista, obstetra e especialista em Medicina Fetal do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica e com Raquel Armond, ginecologista e obstetra do Hospital Anchieta.

Principal desafio
Um dos principais desafios de ter uma gravidez após os 40 anos é o da concepção, pois com o passar dos anos a mulher diminui a sua reserva ovariana, como explica a ginecologista Raquel Armond: "Essa perda é mais acentuada após os 35 anos de idade. Portanto, até os 35 anos é mais fácil engravidar e depois dos 40 anos é mais difícil ainda". Além da diminuição de óvulos, existe ainda outro problema, complementa a obstetra: "Sabemos que além da quantidade de óvulos, a mulher vai perdendo qualidade, pois as células germinativas envelhecem com a mulher. Assim, além de ser mais difícil engravidar, a taxa de perdas (abortos - veja tabela) também aumenta. Tudo isso vai acontecendo gradual e naturalmente com a idade. Além do mais, a chance de aparecerem doenças ginecológicas (infecções pélvicas, miomas, endometriose) aumentam com a idade, o que diminui a fertilidade (veja tabela)".

Segundo o ginecologista Dr. Jurandir Piassi Passos por isso, o ideal é não retardar muito a primeira gestação. "Digamos que o casal resolva esperar acertar toda a situação econômica e parta para tentar engravidar, e se descobre que a mulher tem algum tipo de insuficiência precoce ovariana. O tempo entre o diagnóstico e o 'conseguir engravidar' pode ser tão exíguo que a gravidez almejada não é conseguida de forma natural, tendo então que partir para métodos de reprodução assistida e, em alguns casos, até para a doação de óvulos ou embriões".

Riscos de saúde para mãe e bebê
Após a concepção existem alguns riscos para a saúde da mãe e do bebê, que devem ser levados em conta. "Com o avançar da idade, aumentam também as taxas de complicações durante a gestação. As mais comuns são diabetes gestacional e pré-eclampsia, mas também pode haver descompensações cardíacas e de tireoide", alerta a obstetra Raquel Armond. Além disso ela atenta para a importância de um pré natal bem-feito a fim de fazer prevenir ou fazer o diagnóstico precoce dessas doenças: "A diabetes gestacional, por exemplo, se for diagnosticada precocemente pode ser controlada apenas com dietas até o nascimento da criança. Porém, se esse diagnóstico é feito mais tardiamente, quando a paciente já está descompensada, será necessário uso de insulina. Doenças cardíacas podem ser anteriores a gestação e a paciente pode nem saber que tem um problema cardíaco. O que ocorre é que a gestação gera uma sobrecarga no organismo como um todo, fazendo aparecer doenças que estavam latentes".

Segundo o Dr. Jurandir Piassi Passos numa gravidez em idade mais avançada, existem sérios riscos à saúde da mulher e do bebê: "a hipertensão, por aumentar a chance de parto prematuro, feto com baixo peso ao nascer, e para a mãe, na ocorrência da chamada eclampsia, até mesmo o óbito não está descartado. A diabetes tende a aumentar a chance para fetos grandes para a idade gestacional, aumento da quantidade de líquido amniótico (polihidrâmnio), aumento da incidência de cesáreas e de quadros hipoglicêmicos neonatais que levam ao prolongamento do tempo de internação dos recém-nascidos". Além dos riscos com o diabetes e a hipertensão, ainda existem outros fatores de risco: "A ocorrência de alterações genéticas, as chamadas síndromes, são mais frequentes quanto mais idosa for a gestante, mas, devo salientar que as mulheres jovens também podem apresentar esses quadros", complementa o obstetra.

De acordo com o ginecologista quanto maior a idade materna, maior o risco de ocorrência de alterações cromossômicas e, consequentemente, da Síndrome de Down (veja tabela). "Isso ocorre pela característica que envolve o desenvolvimento e divisão celular dos óvulos maternos. Essa divisão começa a ocorrer ainda no período embrionário da mulher e fica parada até o momento em que o óvulo é 'recrutado' para ovular. Se essa ovulação ocorreu aos 20 anos, esse óvulo ficou parado no processo de divisão celular por 20 anos, se a ovulação ocorreu com 30 anos, ficou parado por 30 anos e assim por diante.Quanto maior o tempo que a célula ficou parada na fase de divisão celular, maior a chance de ocorrer um erro de divisão quando o processo é retomado. Daí quanto maior a idade da mulher, maior esse risco da síndrome", afirma o obstetra Dr. Jurandir Piassi Passos.

Complementando a informação acima a ginecologista Raquel Armond afirma que isso pode ser chamado de envelhecimento do óvulo. "isso ocorre porque os óvulos têm a idade da mulher (envelhecem junto com ela). As mulheres começam a perder seus óvulos ainda no ventre de sua mãe. Ao chegar próximo da menopausa, já utilizou os melhores óvulos (mesmo que não tenha engravidado). Cada vez mais aumenta a chance de óvulos defeituosos geneticamente falando e por isso aumenta a chance de doenças genéticas". Ainda de acordo com a Dra, na maioria das vezes, os problemas para o bebê relacionados à idade materna são genéticos. Mas como consequência das outras complicações gestacionais, vem a prematuridade, que "pode ter diversas sequelas, como problemas respiratórios para o recém-nascido, alterações intestinais, hemorragias cerebrais e problemas de visão".

Hora do parto
Na hora do parto também tem que ter alguns cuidados, ainda mais se a gravidez tiver sido de risco. Quanto a escolha por parto normal ou cesária, a obstetra Raquel Armond alerta: "Isso pode ser decidido pelo obstetra ou pelo médico que acompanha a paciente em conjunto no pré-natal (como o endocrinologista ou cardiologista). No caso de doenças do coração, o cardiologista libera ou não para o parto normal. Mesmo sendo liberado o parto normal, em uma gestação de alto risco, há uma chance maior do bebê entrar em 'sofrimento fetal' durante o trabalho de parto e ter que se converter para uma cesárea de urgência". E complementa: "em outros casos, o tamanho do bebê (muito grande) impede o parto normal, ou uma má oxigenação fetal (mesmo sem trabalho de parto) já indica cesariana". A obstetra afirma que não é a idade da mãe que vai contraindicar o parto normal e sim as condições de saúde dela e do bebê. "O obstetra deve avaliar as condições de cada paciente individualmente. Alguns livros indicam que o parto normal é uma contraindicação relativa para gestantes do primeiro filho após os 38-40 anos".


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