Congelamento de óvulos é opção para mulheres que pensam em engravidar mais tarde

Quantas vezes você já não desejou “apertar um botão de pausa” e fazer o tempo parar? Não, isso ainda não é possível. Mas, para mulheres que desejam ser mães mais tardiamente na vida, uma opção é congelar seus óvulos, para que eles mantenham a qualidade para uma gravidez futura.

Em abril de 2009, a funcionária pública carioca Rita de Cássia Mattos, então com 39 anos, submeteu-se ao procedimento de congelamento de óvulos. Separada do ex-marido, com quem não teve filhos, longe de outro relacionamento sério e portadora do gene da hemofilia (alteração hereditária no sangue, caracterizada por um defeito na coagulação, que pode se desenvolver em filhos do sexo masculino de mães portadoras do gene da doença), Rita achou por bem preservar a sua fertilidade e programar a gravidez em laboratório para dar à luz uma menina.

O descongelamento dos óvulos e a fertilização in vitro, provavelmente com o sêmem de um doador, estão nos planos dela para este ano.

Para o Dr. Paulo Gallo, diretor médico do Vida - Centro de Fertilidade da Rede D’Or, “parar” o relógio biológico é uma opção para quem quer ou precisa deixar o bebê para mais tarde, seja por razões pessoais ou médicas. É aconselhável, por exemplo, que mulheres com câncer retirem os óvulos antes de começar uma radioterapia ou quimioterapia, pois é grande a chance desses tratamentos levarem à esterilidade.

O procedimento é indicado para mulheres acima dos 30 anos, idade em que o "estoque" de óvulos no organismo começa a diminuir e a taxa de fertilidade é de 60%, para cada tentativa de fertilização in vitro. A partir daí, a taxa tende a cair bastante, chegando a menos de 5% lá pelos 43 anos. Portanto, quanto antes feito o congelamento de óvulos, melhor.

Tratamento e resultados
Até alguns anos atrás, o processo de resfriamento era lento (levava três horas para se completar). E também desanimador: apenas metade dos óvulos guardados resistiam e a probabilidade de engravidar era de 50% em relação à fertilização com óvulos frescos.

Com a técnica mais recente de vitrificação, em que as células levam apenas 15 minutos para serem congeladas, os resultados são bem mais satisfatórios: 90% dos óvulos sobrevivem e o sucesso da gestação é comparável ao sucesso da fertilização com óvulos que não foram congelados.

Antes do congelamento, a paciente recebe injeções com hormônios por cerca de 14 dias para estimular a ovulação. Depois disso, são realizadas seções de ultrassonografia para acompanhar a maturação dos óvulos e determinar o momento exato da aspiração. O procedimento é realizado em ambiente cirúrgico, com sedação breve.

A partir da coleta, as células são examinadas e, em vez de serem fecundadas e implantadas no útero, são vitrificadas a -196ºC em nitrogênio líquido, podendo ficar armazenadas pelo tempo que for necessário.

Como em todo tratamento médico, há desgaste psicológico e físico. Por isso, após o procedimento, indica-se repouso por uns dias. Já para a fertilização in vitro, quando o óvulo é descongelado, fecundado com o espermatozóide e transferido para a cavidade uterina da mulher, quanto maior a idade, maior o risco. A recomendação é que aconteça até os 55 anos, para evitar complicações para a mãe e o bebê.

O congelamento de óvulos custa de 11 a 14 mil reais, incluindo medicamentos, dependendo da idade da paciente. Já a fertilização em vitro custa cerca de 7 mil reais.

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