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Derry, a London desconhecida

Com todo respeito a Londres, em 2013 o centro cultural do Reino Unido promete estar 617 quilômetros ‘’para cima’’. Mais precisamente em Londonderry, na Irlanda do Norte, que durante todo o ano será a Capital Britânica da Cultura. É o primeiro passo de um ambicioso programa do governo do Reino Unido para estimular benefícios sociais e culturais fora dos grandes centros, inspirado pelo salto qualitativo dado por Liverpool por conta da escolha como capital cultural europeia de 2008.

Nos próximos meses, Derry, com seus 105 mil habitantes, será palco de um festival de eventos (140 ao todo) que não terá somente as obrigatórias aparições de ídolos locais. O Royal Ballet, por exemplo, fará a primeira visita à Irlanda do Norte em 20 anos ao passo que em dezembro a cidade receberá a cerimônia de entrega do Turner Prize, o mais prestigioso prêmio da arte britânica, e que apenas pela terceira vez desde sua criação, em 1984, terá lugar fora de Londres.

Além de uma oportunidade preciosa para a promoção da cidade, que promete dar uma injeção de ânimo na economia local, o ano de Derry sob os holofotes também está sendo comemorado por representar uma ruptura com um passado mais ligado à crise político-religiosa da Irlanda do Norte. Foi em Derry que se deu um dos mais violentos episódios das três décadas de violência no país: em 1972, soldados abriram fogo contra manifestantes que protestavam contra a presença militar. Morreram 26 pessoas e o episódio acirrou os ânimos dos movimentos favoráveis a reunificação da Irlanda do Norte com a República da Irlanda.

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Passadas quatro décadas, Derry agora quer enviar uma mensagem de tolerância e reconciliação. A cidade fez uma campanha baseada justamente nessa visão de futuro pacífico e que foi crucial na disputa pelo título de Capital da Cultural com as rivais Birmingham, Norwich e Sheffield. Um dos primeiros povoados da história irlandesa, a cidade ganhou proeminência durante o século 16 durante as invasões inglesas e foi um dos pontos focais da ‘’Guerra dos Reis de 1689’’ – a cidade, leal ao rei católico James II foi sitiada por tropas partidárias ao protestante William de Orange e durante três meses esteve sobre intenso cerco.

Hoje, Derry se orgulha de ser uma cidade cercada, com suas muralhas preservadas surgindo como uma das principais atrações turísticas. Oferece vistas panorâmicas e exemplos raros de arquitetura do período jacobino. A história de Derry passa também pelo consumo: Austins, a mais antiga loja de departamentos independente do mundo, estabelecida em 1930, faz parte das inúmeras opções de compras da cidade.

No plano religioso-histórico, há a Catedral de São Colombo, a primeira catedral protestante construída na Europa. As pontes sobre o Rio Foyle também são pontos obrigatórios em fotos de turistas, que já vinham aparecendo com mais frequência desde o início da década passada, quando o aeroporto da cidade entrou para a rota dos vôos ‘’budget’’ vindos do Reino Unido e do resto da Europa. Até porque a cidade está bem próxima da Giant ‘s Causeway, a impressionante formação rochosa que é a mais popular atração turística do Reino Unido – fãs de rock vão lembrar de seu uso na capa de ‘’Houses of the Holy’’, álbum do Led Zeppelin.

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Derry tem até um Carnaval em pleno Halloween, que costuma levar 30 mil pessoas às ruas do centro. Motivos não faltam para uma esticada rumo à capital efêmera em 2013...

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