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Você conta por aí como foram suas transas?

Você gostaria que suas preferências sexuais virassem conversa de bar? (Foto: iStock)Homens adoram contar vantagem. Adoram dizer para os amigos como são atletas sexuais, conseguem fazer coisas incríveis e dar momentos de prazer inigualáveis para as mulheres. Quando chega na hora dos detalhes, então, acham ótimo contar até como foi o som que a garota fez.

Mulheres também adoram contar vantagem. Adoram as mesmas coisas que os homens: mostrar que são ótimas no sexo, que deixam os parceiros malucos e sem vontade de ir embora. Sobre os detalhes mulheres fazem a mesma coisa: contam todos na roda com as amigas.

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E tudo isso é horrível! Se as pessoas só falassem bem de si mesmas não teria problema, mas elas gostam é de falar sobre o outro. Tamanho, aparência, sons, caras e bocas viram assunto de mesa de bar. E, sinceramente, ninguém quer ter algo tão íntimo divulgado.

Você vai lá e conta tudo isso para as pessoas imaginando que aquilo vai ser um casinho de algumas noites, mas quando vê está namorando com aquele cara que todo mundo sabe como faz na cama. Não é muito legal, né? A mesma coisa vale para o cara que conta como foi incrível o gemido da garota e quando ele menos percebe está marcando casamento. Imagina as pessoas olhando para ela no altar e imaginando aquilo?

Mesmo que a pessoa fique só no sexo casual, é falta de respeito pelo outro! Só deve saber como alguém é na cama quem efetivamente foi para a cama com aquela pessoa. É muito íntimo, único e não precisa ser dividido como se fosse a cor da calcinha que você estava usando no momento.

É normal querer dividir as coisas, mas limites são muito importantes. Conte como você se sentiu ou quantas vezes gozou na mesa do bar, pode até dizer como foi a ordem das coisas para os melhores amigos, aqueles mais íntimos, que não julgam ou contam a história por aí. Mas só.

Guarde os detalhes para você. Mantenha apenas na sua memória qual era a cara da outra pessoa na hora do orgasmo e como ela gosta de ser tocada. Você não precisa passar um manual para os amigos, se eles ficarem com aquela pessoa vão descobrir sozinhos como se divertir. E é essa a graça de tudo.

Pior ainda é quando o sexo foi decepcionante. Será que foi assim apenas para você? Porque se você está dizendo maldades de um lado pode ser que do outro a pessoa também esteja dizendo coisas horríveis sobre você. Ninguém precisa saber das nossas derrotas, muito menos quando elas envolvem duas pessoas. Sexo ruim pode ser falta de química, de paciência ou de experiência, mas sempre envolve duas pessoas, então você também pode ser apontado como culpado.

E o padrão de decepcionante para um é diferente do que significa para outro. A mesma coisa vale para tamanhos, cheiros... Você pode ficar falando mal de uma pessoa sem parar e outra pessoa por aí falar bem como você nunca poderia imaginar. Gosto é gosto e os parâmetros para isso não existem.

Quando você faz isso no celular, então, a coisa fica ainda pior. As pessoas que estão ao seu lado no transporte público ou na mesa de uma praça de alimentação não precisam, não querem e não estão interessadas nas suas aventuras sexuais cheias de detalhes.

Sexo é uma delícia, mas pede alguns ingredientes. Respeito e discrição são os principais. Que tal falar menos e fazer mais?

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).


Festa Junina

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.