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Preliminares responde: qual a diferença entre transar e fazer amor?

(Foto: iStock)

“Primeiramente adoro suas postagens, mas tenho uma dúvida comigo mesma, em minha mente existe dois tipos de sexo, o com amor que é aquele todo romântico e cheio de química e o selvagem que age com sacanagem, tapas, palavras provocantes e menos romântico em teoria.
Há pouco tempo descobri o sexo com sacanagem, mas pelo fato de ter medo de ser posta como uma oferecida, agi como se fosse um sexo romântico e deu certo os dois juntos, mas agora estou confusa porque às vezes sou eu que procuro a sacanagem. O selvagem é bom, a mulher se sente GOSTOSA, no PODER... Como você me aparenta ser uma garota bastante informada de tais questões, gostaria da sua opinião!”

Sempre que falam sobre a diferença entre sexo e amor fico pensando se isso existe realmente. Parece que, pra muita gente, amor é uma coisa meio morna, silenciosa e calma. Enquanto o sexo é envolvente, sedutor, cheio de adrenalina. Por que não podemos ter as duas coisas?

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Estamos tão acostumados a nos sentirmos culpados pelas coisas que até na hora do sexo não acreditamos que sentir 100% das sensações e deixar nosso corpo comandar o momento é uma coisa positiva.

Você está fazendo sexo com a pessoa, mas fica pensando se vai ser julgada mais tarde, o que vão pensar de você e se o sexo incrível que vocês fazem – ou poderiam fazer, caso você estivesse entregue – pode ser um ponto negativo.

Eu acredito que a gente pode ter tudo, que não há necessidade de separar as coisas e esconder quem se é e os desejos que tem.

Se você ama a pessoa com quem está fazendo sexo e ela também ama você não há do que ter medo. O amor é muito maior do que julgamentos. O amor, aquele de verdade, quer ver o outro feliz, realizado. E no sexo é a mesma coisa. Todo mundo quer ter e dar prazer, portanto, nada de se prender.

Se você não ama a pessoa, ainda assim consegue fazer amor. Para ter sexo tem que ter química, você precisa, naquele momento, nem que seja por duas horinhas, ter uma ligação com a outra pessoa, algo que explique porque você está ali. E então o sexo pode ser qualquer coisa. Pode ser uma troca tão grande de energias que você nunca mais terá aquilo com ninguém. Paixões de uma noite também carregam essa troca.

Tente fazer amor na posição mais sem vergonha que você puder imaginar, diga eu te amo seguido de uma baixariazinha. E durante o sexo selvagem, tente olhar nos olhos e encontrar ali a cumplicidade que comprova o amor. É um exercício que pode levar tempo, mas vai ser extremamente prazeroso.

Ninguém é santa ou puta apenas. Somos mil coisas, temos infinitos momentos diferentes e podemos mudar quando der vontade. Não existe motivo para ficarmos presas imaginando o que pode acontecer no futuro - ele não depende de nós.

Não importa o tipo de sexo que você fizer, se a outra pessoa quiser um motivo para não continuar com você, ou continuar, ela vai encontrar. Essas coisas estão muito mais dentro da gente do que em qualquer outro lugar.

Veja a pessoa com quem você divide sua vida como um parceiro para provar coisas – desde as delícias de passear de mãos dadas até a fantasia mais sacana que você tiver -, só assim você vai conseguir ter um relacionamento completo. Pra quer ter apenas a metade das relações se você pode ter tudo?

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).


Festa Junina

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.