Preliminares

O que significa “se dar ao respeito”?

Eu escrevo aqui sobre sexo. Liberdade sexual é algo incrível, igualdade de gênero é uma coisa pela qual vale a pena lutar e o papel da mulher na sociedade precisa mesmo ser discutido porque ainda tem muita coisa errada por aí. Mas para tudo isso dar certo é necessário ter respeito.

Não, não estou falando que as mulheres devem "se dar ao respeito" para serem respeitadas – mesmo porque o significado disso muda de pessoa para pessoa e o que significa para mim não tem nada a ver com o entendimento de um fanático religioso, por exemplo.

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Desde criança fui ensinada a me amar. Sempre em primeiro lugar. Eu nunca poderia colocar ninguém a frente dos meus sentimentos porque isso seria fatal. E sigo assim até hoje. Dar-se o respeito, para mim, é cuidar de si mesma, não deixar que ninguém te machuque e não magoar o outro. É fazer com que, mesmo em uma situação em que uma das partes não ficará feliz, o estrago seja mínimo e todo mundo saia com as menores cicatrizes que puder. E é aí que entra a sinceridade, o diálogo e o respeito por todas as partes.

Quando falo de respeito é, também, em relação ao outro. É sobre como lidar com as pessoas que estão ao seu redor e são impactadas diretamente por tudo o que fazemos. Esse respeito e consideração é algo que cobramos diariamente dos homens, mas que muitas mulheres acabam esquecendo no caminho da liberdade.

Respeitar o outro é, antes de tudo, jogar limpo. Sim, para ter liberdade você deve dar essa mesma liberdade para o outro. E ser sincera em relação aos seus objetivos é o primeiro passo para isso. É aquela velha história de não pedir o telefone se você não tem a intenção de ligar.

Uma relação de igualdade só pode existir se você trata o outro como gostaria de ser tratada. É isso que a gente mais quer nos nossos relacionamentos, certo? Então porque quando estamos em uma posição de poder agimos como o pior do que criticamos?

É difícil entender nossos papeis numa configuração social tão nova, mas não é nada difícil lembrar como nos sentimentos a cada vez que coisas horríveis aconteceram com a gente. Não gostamos de ser tratadas como objeto, então por que objetificamos os homens? Não queremos que nossas intimidades sejam reveladas em público, então por que contamos a Deus e o mundo como foi a performance do garotão? Por que estamos agindo como se precisássemos humilhar o outro para nos sentirmos mais fortes?

No imaginário padrão, homens têm características agressivas e mulheres são dóceis – deixando claro que dócil não é doce. Dócil quer dizer domesticada -, mas isso não é verdade. Essa é apenas a maneira que somos criados. E para entrar em um mundo que ainda dá privilégios aos homens e sua agressividade você não precisa levar o pior dessa característica para você. Agressividade é bom, mas quando controlada. Você não está jogando War para conquistar todos os continentes ao redor. A agressividade inteligente é mesclar sua capacidade de sentir com sua força para seguir em frente.

E sentimentos são coisas boas mesmo quando não são recíprocas. Você querendo ou não que alguém os tenha por você, isso pode acontecer. A diferença é a maneira que você vai lidar com isso. Deixar alguém em stand by ou se aproveitar da situação para ganhar favores ou mimos, sabendo que não há a mínima vontade de retribuir, é ser má e fria. E essas são as piores as atitudes que criticamos.

Você pode e deve demonstrar sentimentos, ser educada e gentil. Não há nada de errado nisso. Você não está dando mole, apenas sendo agradável. Sabe qual a diferença entre uma coisa e outra? Os limites que você impoe quando é sincera. Tenha seus objetivos claros para poder deixá-los claros para as outras pessoas.

Não se importe com o que vão dizer no momento em que você deixar claro o que espera de você e do mundo. Orgulho ferido acaba com as pessoas e a sociedade ainda acha que mulheres nasceram para satisfazer desejos masculinos, mas no fim das contas o que você precisa fazer é a sua parte. Não importa se não fazem o mesmo com você.

O primeiro passo para transformar a realidade é fazer direito o que você acha que deveria ser diferente. Que tal começar com o pé direito?

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-mae no Twitter (@carolpatrocinio).


Festa Junina

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.