Preliminares

Mulher para namorar e mulher para ficar: qual a diferença?

A mulher para namorar, ficar ou transar é a mesma, só depende o dia em que você a encontra. (Foto: iStock)Ontem um texto bombou na internet. Era uma baboseira escrita por um menino adolescente sobre como deveria ser a garota para namorar e a garota para ficar. É claro que o blog era de uma revista adolescente, que deveria incentivar as meninas a saírem desse ciclo de auto depreciação, mas não foi o que fez.

O texto saiu do ar depois da enxurrada de críticas e do medo de que a palhaçada viralizasse como o texto de outra blogueira da mesma revista, quando não conseguiu furar fila na balada e se sentiu ofendidíssima. O problema é que ele não saiu da nossa cabeça e não vai sair tão fácil da cabeça de garotas inseguras.

Leia também:
A próxima ‘vadia’ é você!
Você é linda, mesmo que os padrões digam o contrário
Instagram é usado para julgar vida sexual de garotas na Suécia

Essa insegurança nos acompanha por toda a vida. Crescemos, nos tornamos independentes, bem sucedidas e ainda assim queremos estar dentro do padrão que alguém inventou sem nem consultar a gente. Um padrão irreal, de mulheres impossíveis de existir.

Acredito muito que esse tipo de pensamento masculino tem uma função ótima para a mulher: seleção natural. O cara que não consegue lidar com você vai se afastar e você, consequentemente, não terá de lidar com um babaca. Ok, tem mais babacas do que caras legais no mundo e um cobertor de orelha é necessário de vez em quando, mas não vale a pena se preocupar com certas exigências irreais.

A mulher para namorar devia ser aquela que mexe com o cara, que o faz se sentir vivo, cheio de energia, querendo ser uma pessoa melhor e amolece seu coração. O faz pensar em como deixar o dia mais curto para estar com ela e aproveitar tempo ao lado de alguém tão bacana.

A mulher para ficar é aquele que ele ainda não conhece direito e está tendo um primeiro contato. Ela é interessante, tem algo que chama atenção em seu jeito, talvez seja bonita, charmosa. Ela é mulher para ficar porque ele ainda não sabe muito sobre ela, suas ideias e valores, mas depois ela pode se transformar em mulher para namorar.

Mulheres merecem ser felizes por si mesmas e não por outras pessoas. (Foto: iStock)A mulher para namorar, ficar ou transar é a mesma, só depende o dia em que você a encontra, o quanto a conhece. Não dá para acreditar em lendas urbanas de mulheres que são 100% isso ou 100% aquilo. Isso não existe entre mulheres, homens ou papagaios.

No texto, o garoto ainda fala sobre vulgaridade. E aí dói ver como esse menino tem ouvido os tios machistas. O que é vulgar? Muita maquiagem? Cabelo louro? Saia curta? Mas vale ser um só desses atributos ou precisa ser tudo junto? Ou não há claramente o que identifique uma mulher como vulgar? Ou nem ele sabe bem o que isso quer dizer e está só repetindo um comportamento que foi ensinado? Ninguém nunca pensou que a mulher que se veste dessa maneira se sente bem assim e que isso é um direito dela?

Mulheres não precisam estar dentro de caixinhas que vão agradar as expectativas masculinas ou das parceiras. Mulheres precisam estar dentro de suas próprias expectativas. Mulheres merecem ser felizes por si mesmas e não por outras pessoas.

Se um dia alguém disser que você não é mulher para isso ou aquilo, agradeça. Diga um “muito obrigada” em alto e bom som e vá embora. Deixe a pessoa pensando qual foi o favor que fez a você. O importante é que você sabe: foi a seleção natural te livrando de uma pessoa que poderia tornar sua vida um inferno ao tentar te colocar dentro de padrões que você não precisa seguir.

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).



Festa Junina

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.