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Gravidez na adolescência diminui e estudo identifica os culpados por ela

Para o diretor executivo da UNFPA, Babatunde Osotimehin, "a menina que engravida aos 14 anos é uma menina cujos …Quando uma mulher engravida, de quem é a culpa? É claro que o senso comum responderia que é da mulher, afinal, porque ela não se preveniu? E aí a gente lembra que sexo, para gerar um bebê, precisa ser feito por uma combinação de homem e mulher e a responsabilidade também deveria ser dividida.

Mas e quando uma garota de 14 anos engravida, de quem é a culpa? É de todos nós. Nessa idade você não é a rainha das escolhas conscientes e, se bobear, é levada de acordo com a maré. O mundo pressiona você para ser uma mulher, ser bem resolvida, ser fatal. É isso que a TV e as revistas dizem. E você só segue o fluxo.

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Ao seguir o fluxo, uma menina de 14 anos – ou 15, 16, 17 – encontra um namorado que não é o garoto exemplar. Ela é ensinada que tem que buscar um macho alfa. E encontra isso com todo o chorume que o cerca. É aí que começa a pressão pelo sexo. E o sexo sem proteção, afinal, se ela nunca transou porque é que o cara deveria usar camisinha? Se ela confia nele, ela pode fazer sem.

Sim, o sexo foi consensual. Sim, ela quis. Sim, ela estava de acordo com aquilo. Mas quão consciente é essa escolha quando você é uma criança sem muitos caminhos para escolher? Quando você é uma menina que não tem acesso a uma educação de qualidade, não consegue entender muito bem o que lê e é bombardeada com sexualização feminina desde sempre?

Essa é a história que criei para ilustrar o assunto, mas o relatório "O Estado da População Mundial 2013", do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado na última quarta-feira (30), concorda com tudo isso.

Para o diretor executivo da UNFPA, Babatunde Osotimehin, "a menina que engravida aos 14 anos é uma menina cujos direitos foram violados e cujo futuro descarrilou. A realidade é que a gravidez na adolescência não é resultado de escolhas, mas da ausência delas e também de circunstâncias que vão além do controle das meninas. É a consequência de pouco ou nenhum acesso à escola, emprego, informação e cuidados de saúde.”

Para questionar essa informação não se baseia nas grandes zonas urbanas do país, mas em locais afastados em que informação é ouro e não é para todo mundo. “A gravidez precoce reflete a pobreza e a pressão de parceiros, família e comunidade. E em muitos casos, ela também é resultado de violência sexual ou coerção", completa.

De acordo com o relatório, e com diversas ONGs que cuidam do futuro de meninas, permanecer na escola por mais tempo diminui a propensão à gravidez. Mas deve ser uma escolha que acolha as meninas, não a objetifique e ofereça reais oportunidades de crescimento.

Os números

Essa talvez seja a parte mais assustadora do estudo, por ter dados palpáveis. As gestações baixo de 14 anos somam 2 milhões, nos países em desenvolvimento. Todos os dias, no mundo, 20 mil meninas dão à luz e 200 morrem por estarem grávidas. São garotas que têm menos de 18 anos. E 95% das gravidezes precoces no mundo estão em países como Quênia, Índia e Brasil.

Em 2010, 19,3% dos nascidos vivos no Brasil eram filhos de adolescentes. Mas o panorama, para o país, é positivo. "O Brasil é um dos países que avançou para aumentar o acesso a meninas grávidas a tratamentos pré-natal, natal e pós-natal", afirma o UNFPA.

Apesar do declínio do número de gestações adolescentes, ainda há muito a fazer. Conversar sobre sexualidade, proteção, divisão de responsabilidades e gravidez precoce com seus filhos, meninos e meninas, pode ser o primeiro passo.

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).




Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.

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