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Casamento gay nos EUA e homofobia no Brasil

Casamento gay nos EUA. (Foto: Getty Images)Respeito. Vou começar o texto com essa palavra porque é isso o que mais falta quando o tema é homossexualidade. Você não precisa ser gay para respeitar gays. E aceitar, dizer se é certo ou errado, também não está nas suas mãos. Motivar suas ações por causa da orientação sexual de alguém é homofobia — goste você ou não. Dito isso, vamos ao assunto.

Em novembro, um referendo autorizou o casamento gay nos Estados Unidos. Nos primeiros dias de liberação, mais de 600 licenças de matrimônio foram emitidas. Durante todo o dia casais formalizaram sua relação e depois tiveram uma festa coletiva, com música, doces e brindes.

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O mais interessante é ver que muitos desses casais estavam juntos há 20, 30 anos. E era possível ver em seus rostos a felicidade de estarem juntos, de poder oficializar o casamento. Se isso não é amor, não sei o que é. Dividir a vida por tanto tempo pede muito mais do que sexo. Pede paciência, cumplicidade, carinho, amizade...

Imagens emocionantes. (Foto: Getty Images)O site BuzzFeed fez um post especial sobre o evento, que fez milhares de pessoas se emocionarem com as fotos. Veja os 60 momentos mais bonitos do primeiro dia de liberação do casamento gay.

Uruguai e Reino Unido também caminham para aprovação da união.

Enquanto isso, no Brasil, temos de lidar diariamente com a homofobia. E você não precisa ser gay para sofrer com isso, basta que alguém pense que você é gay. O caso do estudante da USP agredido em Pinheiros, SP, foi extremamente divulgado, mas não é o único. Na noite desta quarta-feira (12) uma garota foi agredida por torcedores do São Paulo, na cidade de mesmo nome, porque acharam que ela tinha jeito de sapatão.

E esses são apenas os casos de que ficamos sabendo. O Grupo Gay da Bahia tem um trabalho bastante interessante quando o assunto é esse. Eles criaram um blog chamado "Quem a homofobia matou hoje?" em que conta a história de vítimas ao redor do país.

Casamento gay nos EUA. (Foto: Getty Images)Mais assustador do que ver tantas pessoas que perderam a vida por causa da falta de respeito do outro, é ver a crueldade com que isso é feito. Não é uma simples agressão, um simples assassinato. É muito sangue, muita dor, muito ódio reprimido.

O escritor João Silvério Trevisan escreveu um pequeno texto sobre o assunto, que diz muito do que eu gostaria de dizer, então reproduzo-o aqui:

"Quando é que a palavra 'BASTA' terá o significado exato da palavra 'BASTA'? Há quantas décadas se repetem fatos como esse, no Brasil? Quando este país vai aprender, enfim, o que significa o convívio democrático? Basta, nós já estamos cansados de ser saco de pancada, e por tempo demais. As leis antihomofobia: quando serão aprovadas? Até quando o sentimento de culpa cristão incitará a violência contra maneiras diversas de amar e transar? Sim, eu sou guei. Se você tiver atração por mim, não precisa disfarçar me ofendendo. Pode dar uma cantada legal. Mesmo que você não faça meu gênero, eu não irei te ofender. Nem te bater. Assuma: teu gesto de violência é a maior prova do teu desejo reprimido. Quanto maior o desejo, mais forte a reação contra ele. O que aconteceu nessa esquina, nesse dia, contra esse rapaz André Cardoso Gomes Baliera tem um nome: 'retorno do reprimido'. Nas palavras de Freud: 'dentro do repressor se impõe, ao fim, o reprimido triunfante'. Trata-se do velho e matreiro enrustimento"

Não acredito que todo caso de homofobia tenha início num desejo reprimido, mas esses casos em que a pessoa utiliza violência capaz de matar o outro por diversas vezes, tem algo a se pensar. O que você está matando? Contra que demônio essa luta está sendo travada?

Respeito. É bom, de verdade, tentarmos entender o que essa palavra quer dizer e a levarmos para nossa vida

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio)..

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.

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