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BBB: é prejudicial tirar proveito da objetificação feminina?

Clara e Vanessa. (Foto: GShow/ Divulgação)O corpo feminino é incrível. Cheio de curvas, seios, pernas e bumbum redondinhos. Mesmo mulheres hétero conseguem ver beleza no corpo de outra mulher e não existe muito medo de falar que essa ou aquela garota é realmente linda.

O corpo da mulher é objetificado. É como se não houvesse uma pessoa dentro daquilo tudo, como se fosse só curvas, seios, pernas e bumbum redondinhos. Até mesmo mulheres conseguem tornar o corpo da outra algo a ser vendido.

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Essa situação não é fácil. Até que ponto estamos exaltando a beleza feminina e em que momento passamos a objetificar uma pessoa? É tudo uma questão de contexto. E o Big Brother Brasil, como uma grande gaiola de hamster, é um lugar incrível para observar comportamentos.

Primeiro beijo entre Clara e Vanessa. (Foto: GShow/ Divulgação)Podemos começar falando sobre a edição do programa. Eles só mostram o que querem e interessa, é claro. Mas você acha que um beijo entre dois homens seriam exibido como foi o beijo entre as garotas Clara e Vanessa? Não, não seria. Iriam dizer que a família brasileira não está preparada. Mas como são duas mulheres e isso não agride o homem, muito pelo contrário, faz parte do cardápio de fetiches aceitáveis do homem de bem, eles exibem. A mulher, aí, virou uma boneca inflável.

As meninas que se beijaram, por outro lado, estão apenas curtindo. Uma sentiu tesão na outra e pronto, rolou. É assim que acontece quando duas pessoas ficam. A química acontece e tcharan, deu vontade.

Diego tomou banho pelado e muita gente ficou chocada dentro da casa. (Foto: TV Globo/ Reprodução)O segundo caso é do Diego, o menino que tomou banho pelado. Ó, como pode uma pessoa tomando banho pelada?! A frase soa ridícula, não soa? E deveria mesmo. Todos nós tomamos banho pelados e deve ser desesperador tomar banho com sunga ou biquíni, é como se você não estivesse 100% limpo. A Globo não mostrou na edição, Bial fez piada e teve um pessoa da casa que não gostou da atitude e indicou o menino ao paredão.

Já a Clara... A garota tomou banho nua e isso não foi apenas comentado, mas repetido a exaustão. Ninguém se incomodou e nem a indicou ao paredão. Por quê? Porque estamos tão acostumados a ver mulheres praticamente nuas – ou nuas – que isso não ofende. Um pênis ofende muito mais que uma vagina. E isso vale para homens e mulheres. Está aí a prova da objetificação. A mulher serve a um propósito. Se os homens que dominam o mundo fossem gays, talvez o pênis não tivesse sido tão rechaçado.

Banho de Clara rendeu. (Foto: TV Globo/ Reprodução)E o último caso são as meninas que, nesta edição, resolveram curtir a vida adoidado e estão mostrando os seios para a câmera, não se importando se mostraram mais ou menos. Seria isso objetificação? Não. Elas estão conscientes do que estão fazendo. A maior parte delas vai mesmo posar nua quando sair e todo mundo vai ver o corpo delas. Além disso, é muito mais fácil se manter na casa quando você é interessante para a audiência do programa.

Não é uma atitude revolucionária ou feminista - mesmo que qualquer contraponto no meio de tantos homens machistas seja bem-vindo -, mas é uma atitude inteligente, elas estão pensando a longo prazo e não estão chocando ninguém. Seios são lindos e aparecem em programas da Globo. Mas é claro que são seios que agradam o olhar masculino e, por isso, não há problema. Se elas passassem a mostrar seios que não são bonitos, ou que tivessem pelos, ou se os sujassem de barro, aí a coisa seria outra.

Clara e Vanessa se beijam novamente. (Foto: TV Globo/ Reprodução)Poderia uma mulher objetificar seu corpo? Poderia sim. E caso elas não parecessem bastante espertas, poderíamos pensar nessa opção no caso da Clara e da Vanessa, que andaram mostrando os seios para a câmera da piscina – é, no Pay Per View você vê de tudo -, mas parece muito mais como estratégia de jogo.

A objetificação se dá quando a mulher acredita que seu único lugar no mundo é aquele em que o corpo é mais importante do que a personalidade. Mulheres sentem-se assim e aceitam isso. (Alguns) Homens enxergam mulheres assim e as tratam dessa forma. E algumas pessoas resolvem usar essa coisa horrível a seu favor. Certo ou errado? Não cabe a mim julgar, cada um sabe o que faz, o peso que isso tem em sua vida e como isso pode atingir outras pessoas. Eu, particularmente, não faria. Acho que nada que fortaleça o status quo ajuda a libertar quem está oprimido.

Mas ali dentro é uma guerra. Entre as meninas do BBB essa é uma escolha, uma maneira de manipular a audiência, a edição, o programa e ganhar uma boa grana quando sair de lá. Afinal, não é essa a intenção de todo mundo que entrou e o motivo deles sempre chamarem pessoas que estão extremamente felizes com seus corpos?

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda para mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.

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