Preliminares

É proibido ser solteira

É isso mesmo, ser solteira é proibido e tudo o que você deve fazer na sua vida é se tornar mais atraente e interessante para encontrar um homem que cuide de você e a faça feliz. Ninguém é feliz sozinho.

Assustou com esse começo de texto e até foi dar uma olhadinha se estava lendo a coluna certa? Era essa mesma a intenção. Esse tipo de argumento é tão absurdo que queria que você sentisse isso, parasse pra pensar se faz sentido ler esse tipo de coisa. E não faz.

Ninguém é feliz — nem sozinho, nem acompanhado — se não conseguir se sentir feliz sozinho antes. Felicidade vem da gente, não de fora. E como você vai saber do que gosta, o que quer, quais são seus sonhos, se você não se conhece?

É difícil acreditar, mas ser solteira hoje é quase um ato de rebeldia. Ainda. É como se uma mulher não tivesse o direito de gostar mais de si do que dos outros. O homem solteiro é esperto, sabe viver. A mulher solteira é lésbica, mal amada e ainda não encontrou alguém que fizesse 'a coisa' bem feita.

Nada disso! Mulheres resolver ficar solteiras por diversos motivos e nem sempre eles têm ligação com fatores externos. Outras vezes têm.

A verdade é que existem alguns momentos em que ser solteira pesa mais. E é aí a hora perfeita para ser forte, respirar fundo e manter a postura de solteira por opção — não por falta de.

Sair para jantar
Se você quiser almoçar sozinha todos os dias da sua vida, tudo bem. Mas se você resolver sair para jantar... É aí que todos os olhares se voltam pra você com os mais variados sentimentos, sendo os mais comuns, é claro, a dó, a pena e a cumplicidade — esse último como se dissesse "já estive sozinha, mas encontrei alguém, você vai conseguir".

Quando você for jantar sozinha, pelo menos nas primeiras vezes, é bom levar um livro. Você se senta, faz seu pedido, abre o livro e pronto, nem vai lembrar das pessoas ao seu redor. Depois de algum tempo, de alguns jantares e muitos olhares você passa a nem ligar, nem notar e ainda pode começar a achar graça.

Ir ao cinema
Não existe coisa mais gostosa do ir ao cinema sozinha. Você assiste ao filme sem ninguém comentando, não precisa se preocupar em sentar direitinho ou parecer linda no escurinho. É só você e o filme. E na hora de ir embora ainda pode ficar pensando em tudo o que aconteceu e fantasiando com a sua vida. Delícia!

É claro que as pessoas vão olhar, mas cada vez tem mais gente sozinha no cinema. E como vai ficar escuro rapidinho, ninguém vai ficar te encarando.

Barzinho com os amigos
Chega uma certa idade que parece que o mundo inteiro resolveu namorar, casar, ter filhos e seguir o "rumo natural" das coisas — como se isso existisse. E aí quando você quer ver os amigos ganha de brinde namoradas e crianças.

É aí que todo mundo faz aquela pergunta horrível: você continua solteira? Quando vai parar com essa coisa de querer ficar sozinha?

Entre gritos de criança, olhares tortos entre os casais e histórias de obrigações como ir a festa da tia-avó você só vai ter mais certeza de que fez a escolha certa.

Se não sentir isso é porque está mesmo na hora de tentar algo novo. Quem sabe um relacionamento?

Festa de família
Esse é o pior momento para qualquer pessoa que resolve se manter solteira. Família tem intimidade, te viu crescer e se sente no direito de questionar suas decisões sem pensar duas vezes.

Se você tomou a decisão de ficar solteira prepare-se para ter sua vida sondada, suspeitas de que você é lésbica, que algum homem foi muito mau com você, que você deveria se arrumar mais e até que escolheu a profissão errada. Dependendo da sua sorte, vão até dizer que você ficou inteligente demais e é por isso que os homens não se aproximam — medo.

A verdade é que se você está feliz nada disso vai te deixar brava. Você vai rir, entender que as pessoas não conseguem visualizar como é a sua vida e seguir em frente. É difícil entender o diferente e é aí que você precisa mostrar que nada é tão estranho quanto parece.

Você tem alguma dúvida sobre sexo? Manda pra mim no preliminarescomcarol@yahoo.com.br e siga-me no Twitter (@carolpatrocinio).

Sobre Carol Patrocínio

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.

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