Mãe de Salto Alto

Separação: como proteger os filhos da dor?

Oi, gente! No meu tempo de escola as crianças que tinham pais separados eram minoria. Entre as minhas amigas não tinha nenhum caso. Cresci e as coisas mudaram bastante. Entre minhas amigas hoje a maioria está no segundo casamento. Outras até no terceiro. O que significa isso? Significa que as famílias mudaram, como todo mundo sabe, e que a gente tem que mudar nossa cabeça, o que pouca gente se dispõe a fazer.

Digo isso porque conheço poucos casos como o da madrinha da minha filha Maitê. Muitos anos atrás ela se casou com um homem que era separado e tinha dois filhos. Recebeu as crianças como se fossem filhos dela. Até aí tudo bem, até é normal. O bacana foi o que ela fez com a ex do marido. Generosa como poucas pessoas, ela ajudou essa mulher a entender que estava lá para somar, para ser mais um membro daquela família. E foi isso que aconteceu. Hoje eles todos formam uma grande família. Tempos atrás uma das meninas engravidou e a minha amiga recebeu a notícia, por meio da ex do marido dela, da seguinte maneira: eu e você vamos ser avós! Legal, né? É, mas nem sempre é assim... muito pelo contrário!

Sei que a separação é um momento delicadíssimo e que as pessoas saem machucadas dele. Sei que muita gente não aceita e luta com todas as forças pra reconquistar um amor que já não existe mais. E sei também que, por tudo isso, muitas vezes as mães usam os filhos para torturar os ex-maridos. Será que é justo?

Como será que cresce uma criança que ouve a mãe depreciar o pai? Uma criança que é jogada contra a nova companheira desse pai? Que cabeça vai ter essa criança quando crescer e for formar uma nova família? Nem precisamos ir tão longe...que cabeça vai ter essa criança pra lidar com os problemas dela, do cotidiano (escola, namorados)?

Será que nessa hora não seria mais bacana deixar o egoísmo de lado e permitir que a criança forme os laços que ela quiser com o pai, a madrasta, os novos irmãos? Será que vale a pena transformar a vida de todo mundo num inferno ou é melhor conquistar novos aliados, gente que, no futuro, pode te ajudar na educação e criação dos seus filhos?

Não tenho dúvidas da resposta. Todo mundo sabe tudo que os especialistas preconizam nesses casos. Mas hoje quero levar você a refletir. Será que quando o amor do outro acaba nós temos que acabar com a relação dos nossos filhos com o nosso ex-amor? Acho que não, né? O seu ex pode ter sido um péssimo marido pra você, mas pode ser um ótimo pai para seus filhos.

Um beijo

Pati

Sobre Patrícia Maldonado

Patrícia Maldonado, 37 anos, é mãe de Nina e Maitê, além de esposa, filha, dona de casa e apresentadora de TV (atualmente ela está na Band). Ufa! Apesar de parecer que a vida dela é um caos, dá tudo certo no fim! No blog Mãe de Salto Alto, Patrícia escreve sobre os desafios da maternidade, repercute notícias sobre o tema e fala de suas experiências como mãe. O objetivo é trocar ideias! Um bate-papo virtual.

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