Amor e outras coisas

Traição virtual, o que você pensa a respeito?

Há poucas semanas, uma das principais revistas do país trouxe essa questão de forma muito consistente. De fato, pode sim ser considerada traição qualquer relação virtual.

Segundo uma pesquisa da Qualibest divulgada pela revista Veja, 61% dos consultados entendem a traição virtual como tão grave quanto na vida real. 41% dos entrevistados já tiveram algum tipo de interação virtual, durante um relacionamento sério (destes, 57% homens e 43% mulheres); 53% praticam ou já praticaram algum tipo de ato de natureza sexual através da web (desde conversas sensuais até autoerotismo); 59% terminariam o relacionamento se descobrissem uma traição virtual e apenas 12% já pegaram o parceiro em práticas do tipo. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o índice sobe para 19%.

Então, colocado isso, como ficamos?!

Difícil se posicionar, quando o outro decide que é seguro manter esse tipo de "relacionamento" paralelo, usando a internet ou celulares com técnicas cada vez mais simples de acessar.

Difícil julgar e decidir quando o outro precisa desse tipo de "reforço", e nós, não. Difícil aceitar que isso é normal e que não é traição, simplesmente, um deslize. Difícil voltar a confiar. Difícil pensar que isso não voltará a acontecer.

Esse tipo de situação pode envolver tudo — de e-mails apimentados a cenas em webcam - que deixariam qualquer filme pornô com inveja!

E, então, para você isso é ou não traição?! Você faz parte dos 59% que terminariam o relacionamento, se descobrisse que seu parceiro (a) adotou essa prática — por achar esse o melhor canal, para suas fantasias sexuais?! Será que você está nos demais 31% que não se manifestaram?!

Qual a sua posição?!

Quero crer que tudo o que é combinado, não é caro. Então, sim, se vocês conseguem superar isso tudo, o.k., sigam em frente. Entretanto, se entendem essa prática como uma traição tão pesada como no mundo real, alerta! As regras de convivência com o outro têm de ficar claras. O contrato que estabelecem, ao se relacionar, também. E daí escolher se permanecem juntos ou não, é outra questão.

E, por mais incrível que pareça, o que motiva isso tudo é o descompasso dentro da relação. Um que quer ser paparicado, elogiado, quer se sentir sexy e outro que é fechado, introspectivo, reservado.

Recebo e-mails todos os dias de histórias com essa tônica: Traí meu marido, porque ele não é carinhoso quando estamos em locais públicos. Traí minha mulher porque não sinto mais atração por ela, embora a ame e, também, meus filhos. Fui traída por meu namorado, durante os últimos dois anos, e só descobri ao abrir seu computador, o motivo: não entendi, até hoje. Minha mulher me traia há meses, e só fiquei sabendo porque vi uma foto sua nua, no MSN, na nossa casa, por acaso. Estou até agora chocada! Nos separamos.

Em todos esses casos, a escolha foi: FIM! Nenhuma das relações acima se sustentaria, a longo prazo. A dor da perda é tão ou pior do que uma traição ao vivo e em cores para homens ou mulheres traídos.

Há casais que tentam se recuperar, mas a desconfiança e o trauma são tão horríveis que basta o outro sentar no computador e receber um SMS, logo imaginamos o que estará fazendo. Não dá! É impossível viver com esse fantasma silencioso, dentro de casa. Imagine você, depois de um episódio desse, sabendo que a rede está lá, nas 24 horas do dia, se haveria paz possível?!

Impossíve!

A questão aqui, para concluir toda essa reflexão é: O QUE VOCÊ AGUENTA?! Você aguenta viver nessa dúvida, viver nessa loucura?!

Acha possível compartilhar seu parceiro com um mundo virtual?

Se você sustenta — siga em frente. Talvez, você faça parte da minoria que compreende que essa não é uma traição real, é só de brincadeirinha.

Se você não sustenta — pense o que quer fazer, como irá conduzir a questão. Pese se vai ficar muito desgastante ou não a vida real. Afinal — viver uma vida para controlar o outro, não faz sentido.

A vida passa depressa demais para que se limite a seguir diuturnamente os passos do outro. Sei que não é fácil. Mas, se decidiu levar adiante a relação, mesmo sabendo dessas "limitações" do seu parceiro (a), não olhe para trás. Siga em frente. Cuide-se, ame-se, torne-se cada vez melhor. Você verá, com o tempo, que manter-se ou não refém da relação, pode não fazer sentido algum...

Fica aqui meu convite: ame-se mais, redescubra-se. Foque no resgate da autoestima, de tudo o que lhe faz bem e melhor. A resposta, aos poucos, chegará! E, quem sabe, dia desses, você encontra um parceiro (a) que pensa como você. Que tenha os mesmos valores. Que use de empatia. Que saiba dar e receber amor. Que entenda o compromisso como cumplicidade, respeito, responsabilidade, afeto, vínculo, etc, etc... Quem sabe?!

Boa semana.

Sandra Maia é autora dos livros Eu Faço Tudo por Você — Histórias e Relacionamentos Codependentes, Você Está Disponível? Um Caminho para o Amor Pleno e Coisas do Amor.

Dúvidas sobre relacionamentos? Envie para s2maia@yahoo.com.br que elas poderão ser comentadas aqui no blog

Mais informações sobre a autora no www.sandramaia.com

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