Amigo Gay

Namoro ou amizade?

Amor e amizade nem sempre são etapas de um mesmo processo. (Foto: iStock)Quem nunca se apaixonou por um amigo que atire a primeira pedra. Quem nunca confundiu todo aquele companheirismo, bem querer e proximidade com algo que ia muito além da broderagem que dê um passo a frente e deixe a sala imediatamente. Gente, na boa, tem coisa mais fácil do que se deixar levar por aquela sensação de confiança e intimidade e acabar imaginando que existe algo mais do que fraternidade em todos aqueles gestos e boa vontade? Não tem. É aí que mora o perigo.

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Veja bem, amizade é um dos tipos mais poderosos de afeto que existem. Amigos vivem e morrem uns pelos outros, ouvem histórias, ajudam sem julgar e estão sempre lá para dar uma mão quando a barra pesa demais, seja com um conselho de última hora ou uma dose de tequila. Sem falar nos gostos parecidos, nas piadas internas e nas milhares de coisas vividas juntas que trazem uma sensação de aconchego que nem colo de mãe supera. Fala sério, essa é ou não é a receita de um relacionamento perfeito? Até seria, se não fosse por um pequeno detalhe: não há amor entre amigos. Pelo menos não do tipo romântico em que as pessoas se beijam, e se casam e vivem felizes para sempre em casas com cerquinha branca. E isso, minha amiga, muda tudo.

Porque amigos, ao contrário de namorados, não exigem exlcusividade, o que dá uma baita leveza para a história. Então pense bem antes de enfiar, a força, a carapaça de "homem da sua vida" naquele cara que você conhece há anos e que nunca deu sinais de querer levar o relacioamento de vocês para outro nível. Porque ele pode, simplesmente, não ser a melhor escolha para o papel.

Concordo que a gente não controla o que sente e muitas vezes somos pegos de surpresa por esse sentimento que tomou um rumo inesperado. No entanto, é preciso estar atento para não confundir os canais e colcoar na prateleira o amor o que deveria ser jogado no cesto da carência. Porque eu aposto como esse amor repentino surgiu, justamente, em um momento em que a vida te deu uma rasteira e você, sem muitas perspectivas, se voltou para o ombro amigo mais próximo.

O lance da projeção também pode levar as pessoas a pensar que o sentimento pelo outro deixou de ser amizade. Porque, as vezes, a gente gosta tanto do outro, admira tanto o outro, se diverte tanto com o outro que acaba querendo ser o outro. Só que não dá, né? Então a gente enfia na cabeça que quer ter o outro só para gente na tentativa de absorver por osmose um bocadinho daquilo tudo que faz dele um ser tão especial. Precisa dizer que isso não vai dar certo? Acho que não.

Não estou dizendo que amigos não podem ser amantes e vice-versa. De vez em quando o afeto se transforma e ganha outros significados. Sorte dos pombinhos se conseguirem manter seu relacionamento leve e profundo como as grandes amizades sãos. O problema é pensar que amor e amizade são etapas de um mesmo processo. Porque geralmente não são.

Longe de mim desencorajar quem quer que seja a viver suas paixões por mais improváveis que elas pareçam. Só acho que não custa nada conferir se tem água na piscina antes de pular. Ou melhor, convém ver se a tal piscina existe mesmo ou se não é uma miragem criada pela sede extrema de afeto da qual sofremos vez ou outra na vida.

*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigo_gay@yahoo.com.br. Prometo te dar atenção e, quem sabe, algum bom conselho.

Sobre o autor

Arthur Chioramital é jornalista, ombro amigo e filósofo de boteco. Entre uma cerveja e outra, adora reclamar da vida e distribuir conselhos. Romântico não assumido, ele sonha em encontrar o príncipe encantado, mas não nega o valor que o Lobo Mau possui.

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