Amigo Gay

A morte de Aaron Swartz e o papel de cada um de nós na melhoria do mundo

Podemos tentar mudar o mundo com pequenas ações (Foto: iStock)Aaron Swartz foi encontrado morto no ultimo dia 11 em seu apartamento em Nova York. Provavelmente a maioria de vocês nunca ouviu falar dele. Mas esse gênio da internet dedicou mais da metade da sua vida a tarefa de mudar o mundo para melhor usando como ferramenta a capacidade da rede de disceminar conhecimento e informações e unir pessoas ao redor das mais variadas causas.

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O que a morte de um nerd de computador e ativista político tem a ver com esse espaço, afinal estamos em um blog sobre comportamento, não sobre tecnologia? Tudo. Porque a luta dele é a nossa luta. Não sei vocês, mas eu ando meio de saco cheio da mulher poderosa e cheia de si que estampa as capas das revistas femininas e recheia as reportagens das publicações voltadas para esse público (e de seus correspondentes masculinos). Uma folheada rápida no jornal, uma zapeada pela TV ou uma espiada pela janela do carro, do ônibus ou de casa são suficientes para perceber que há um mundo efervescendo lá fora diante do qual “as cinquenta dicas infalíveis para suprender seu gato na cama” ou “a make para AR-RA-SAR no verão 2013” se tornam tão sem graça quanto um picolé de chuchu.

Swartz morreu lutando para ajudar as pessoas a se encontrarem, a terem acesso gratuito e irrestro à informação e ao conhecimento e a se articularem em prol de algo maior. Ele morreu acreditando em um mundo onde as pessoas olham em volta, além de olhar para si mesmas. Que a morte dele não seja em vão.

Esse é o meu conselho hoje. Levantem a cabeça e olhem em volta. Observem o mundo que Swartz morreu tentando melhorar. Assumam seus lugares e dêem continuidade à missão dele, ainda que de forma minúscula, imperceptível, microscópica. Ainda que você não entenda nada de tecnologia. Sempre é possível arregaçar as mangas e colocar seus talentos em ação em benefício de algo que vá além de nós mesmos.

Esqueçam as resoluções de ano novo e as promessas malucas de renovação instantânea. Quando convido vocês a tomarem parte na história que Swartz começou não me refiro à ideia clichê da formiguinha que trabalha sozinha, mas cujo esforço contínuo salva o dia no final das contas. O legado que ele deixa vai além da iniciativa individual, embora ela seja uma parte muito importante disso tudo. Seu trabalho em busca de um mundo mais conectado e com fluxo de informação mais democrático se apoia na ideia de que quando meu poder e conhecimento se encontram e se articulam com o poder e conhecimento dos demais forma-se uma rede propulsora de mudanças, mais forte e mais capaz de resitir a pressões do que se agíssemos todos separados, ainda que seguíssemos na mesma direção. É essa mensagem, da conectividade capaz de impulsionar e garantir a transformação, que precisa ser passada adiante.

Swartz fez coisas incríveis usando sua genialidade como ferramenta e a internet como plano de fundo. Compartilhar sua história e seguir seu exemplo é o mínimo que podemos fazer. Não se trata de continuar o seu trabalho de forma literal. O cara era um gênio e sua morte representa uma perda incalculável para o mundo. Mas de entender que o papel de mudar as coisas para melhor é de todos nós e a decisão de assumi-lo precisa ser tomada o quanto antes.

*Tá com dúvida se casa ou compra uma bicicleta? Não sabe se liga ou não para o pretê do escritório? Precisa de uma dica de receita para impressionar os amigos? Tem alguma história boa para dividir? Quer jogar conversa fora? Manda um e-mail para amigo_gay@yahoo.com.br. Quem sabe não eu não tenho um bom conselho para te dar.

Sobre o autor

Arthur Chioramital é jornalista, ombro amigo e filósofo de boteco. Entre uma cerveja e outra, adora reclamar da vida e distribuir conselhos. Romântico não assumido, ele sonha em encontrar o príncipe encantado, mas não nega o valor que o Lobo Mau possui.

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