Amigo Gay

Amor é isso, sexo é aquilo

Dando continuidade à série "Coisas que me perguntaram por e-mail", vou falar sobre um problema que, ao que tudo indica, preocupa uma quantidade significativa de pessoas: desequilíbrio da vida sexual. A história é simples. Você gosta do cara e ele gosta de você. Vocês se divertem juntos, saem para jantar, sua mãe é louca por ele e seus amigos nunca se deram tão bem com um namorado seu antes. A vida seria um conto de fadas se não fosse por um único detalhe, quando as luzes se apagam vocês não se entendem. Estou falando do bom e velho "eu o amo, mas ele é ruim de cama, e agora?".

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Anota aí em um lugar bem visível: amor é amor, sexo é sexo e um não tem nada a ver com outro. Portanto, bora esquecer essa fantasia de princesa da Disney na qual sexo e amor passeiam de mãos dadas por campinas verdejantes despetalando margaridinhas brancas. Aí você vira e me diz que o sexo é bem mais gostoso quando você está apaixonada porque você consegue ficar à vontade com o outro, esquecer inibições, deixar para lá encanações com o corpo. Acontece, minha amiga, que essas coisas são sinais de intimidade, não de afeto e é possível ser íntimo de uma pessoa por quem você não sente amor romântico. Então melhor mudar esse refrão e tirar das costas o peso da obrigação de ter sexo incrível só porque você ama o cara.

O papel que o sexo ocupa na sua vida e nos seus relacionamentos é outra coisa que você precisa observar. A habilidade do seu parceiro na cama é algo que o compõe, não que o define. Aposto como ele tem vários talentos que vão além do que se faz entre quatro paredes. Se você não consegue percebê-los, talvez seja hora de rever as razões que mantêm vocês dois juntos. Afinal, admiração é o ponto de partida para qualquer história que se pretende construir a dois e eu duvido que transar seja a única coisa admirável que seu companheiro faz. E tem mais, ninguém precisa ser atleta sexual para gozar ou fazer o outro gozar. Boa vontade, determinação e desejo de dar prazer ao outro costumam ser suficientes.

Ninguém está falando que você deva se conformar com uma vida sexual insatisfatória em nome do amor. Mas também não dá para achar que para ser feliz a vida precisa ser um capítulo eterno de "Cinquenta Tons de Cinza". Basta avaliar o peso que você dá para cada coisa. Eu tenho um amigo que nunca hesitou em afirmar que, para ele, o sucesso de um relacionamento dependia em 90% do sexo. Isso até se apaixonar por um cara incrível, mas que não mandava bem na cama. Ele ainda adora transar, mas reconhece que outras coisas são igualmente importantes para que um relacionamento dar certo. Às vezes até mais.

Um outro remédio para desencontros na cama é dizer ao outro o que você gosta, como gosta e quando gosta. Ninguém nasceu sabendo nada, minha cara. Além disso, se as pessoas levam semanas para aprender a fazer coisas simples como dirigir (ou atualizar as múscias do iTunes, no meu caso), imagine para "operar" uma máquina complexa como o corpo feminino? Por isso, não se acanhe em dizer a forma como gosta de ser tocada, o jeito de fazer sexo oral que mais te dá prazer ou a posição que faz subir pelas paredes. Se seu namorado estiver a fim de te dar prazer, ele vai ficar agradecido pela ajuda. Agora, se ele ofender e assumir aquele ar de "eu já sei de tudo", talvez você deva mudar de parceiro. Porque esse tipo de postura arrogante certamente também estará presente em outras áreas e um casal que não aprende um com o outro para crescer junto dificilmente vai construir um relacionamento saudável e duradouro.

Ok, sexo ainda é um tabu para um monte de gente, talvez até para você, e algumas pessoas são tímidas. Então, pode ser que role um certo constrangimento inicial para discutir o assunto com a naturalidade de quem fala do último capítulo da novela ou da partida de futebol do domingo.

Na dúvida, comece pegando leve. Mostrar em vez de falar pode ser uma saída. Coloque a mão dele onde você gosta que te peguem, por exemplo. Com o tempo, comece a dar dicas verbais. O mais importante, sempre deixe bem claro quando você gostou de algo. Aí valem gemidos, gritos, palavras de incentivo ou qualquer outra coisa que mostre ao sujeito que ele está no caminho certo. O cara vai ficar feliz por ter dado uma bola dentro (sem trocadilhos, ok?) e vai anotar mentalmente a dica. Da próxima vez ele vai saber, pelo menos, por onde começar.

No fim é uma questão de ser honesta com você e com o seu parceiro e dar o espaço e importância que o sexo merece ter no relacionamento. Como tudo o mais que envolve o ser humano, não existem respostas certas e erradas. Mas existe o que traz felicidade e prazer e o que traz frustação e culpa. O importante é olhar para dentro de si e descobrir em qual prateleira colocar cada coisa, mantendo o que couber na primeira e deixando para lá o que tiver lugar na segunda.

Se a timidez ou o medo de parecer promíscua ainda assim te impedirem de conversar com seu namorado sobre isso, pense o seguinte: se você não se abrir, ele nunca saberá que você está insatisfeita. Ou seja, além de perder a chance de sentir prazer, você estará negando ao seu parceiro a oportunidade de te proporcionar bons momentos.

Sobre o autor

Arthur Chioramital é jornalista, ombro amigo e filósofo de boteco. Entre uma cerveja e outra, adora reclamar da vida e distribuir conselhos. Romântico não assumido, ele sonha em encontrar o príncipe encantado, mas não nega o valor que o Lobo Mau possui.

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