A sabedoria dos felinos ensina a viver melhor

Por Rita Donato, especial para o Yahoo! Brasil

Ninguém nasce pronto para enfrentar as dificuldades da vida. O poeta chileno Pablo Naruda diria que “o homem quer ser peixe e pássaro, a serpente quisera ter asas, o cachorro é um leão desorientado, o engenheiro quer ser poeta, a mosca estuda para andorinha e o poeta trata de imitar a mosca. Mas o gato quer ser só gato.”

A poesia Ode ao Gato (Navegaciones y Regresos, 1959) retrata uma visão muito próxima da realidade. Afinal, todos sonham em saber lidar com relacionamentos interpessoais, ser autoconfiante, inteligente, independente, comunicativo e ter personalidade distinta, sem preocupações com rótulos. Mas as pessoas são imperfeitas. Já os felinos, nascem prontos.

Talvez, sejam tais características que levam pessoas a se apaixonarem por estes animais e se entregarem a tal ponto de aprender com eles. A cantora e professora de música Giselle Maria é um exemplo, herdou da mãe a fascinação por gatos. Cresceu com ares felinos e alguns arranhões, mas aprendeu a se comunicar com os bichanos apenas pelo olhar.

“Eles são místicos, observadores, estão sempre em conexão com o mundo etéreo e nos ensinam muito com suas atitudes”, afirma a artista, que hoje tem dois gatos, mas já chegou a cuidar de 17, quando morava em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo.
Giselle Maria convive com gatos desde a infância, já chegou a criar 17 bichanos: ‘Eles inspiram minhas atitudes’ …
Também poeta, Giselle afirma que o olhar e a forma como delicadamente caminham os felinos a inspiram nas decisões pessoais e profissionais.  “Eu não consigo ver minha vida sem gatos. Eles fazem parte do meu universo físico e espiritual e me trazem uma felicidade que não saberia descrever.”

A cantora não é exceção. Histórias como a dela podem ser acompanhadas no blog Louco por Gatos criado pela jornalista Cristine Isabele, de Santa Catarina, para compartilhar experiências vividas com os felinos. “É uma maneira de dar a oportunidade dessas pessoas se expressarem.”

A blogueira afirma “amar gatos”, no entanto, não defende a adoração sem limites pelos animais. Apesar de considerar os bichos “únicos e independentes”, critica o que chama de “acumuladores de animais”.
“Existe distinção de criadores de gatos para acumuladores. Há pessoas que criam 20 gatos, mas sem a menor condição, sem higiene, sem vaciná-los, sem prover o mínimo necessário para a subsistência dos bichanos. Isso só faz mal aos bichinhos”, pondera a Cristine.

Desde 2009, quando decidiu inaugurar o blog, ela coleciona histórias de vida como a do gato Bob, que tirou seu dono, James, das drogas. Para demonstrar como o felino é companheiro, um colecionador de quadros caríssimos compartilhou passagem em que teve a casa incendiada e não se preocupou com os quadros, mas com os bichanos que ele não conseguiu salvar.

Para a jornalista, apenas quem é autoconfiante é capaz de ter um felino como animal de estimação. “Acho que pessoas que não sentem necessidade de um bichinho te lambendo e te adorando 24 horas por dia são bem resolvidas.”

REI NA SELVA E EM CASA
Todas as peculiaridades dos felinos os tornam diferenciados. Desde a graça no andar até a segurança com a qual se portam em quaisquer adversidades fazem deles animais essencialmente superiores, garante a veterinária Elaine Pessuto, diretora do CETAC (Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária).

A médica, especialista em medicina felina, explica de onde vem a identificação dos humanos com os animais. “Eles são extremamente participativos, sociáveis e quando ligados emocionalmente, encaram os proprietários como pais.”

Segundo ela, as características dos felinos são similares, seja na selva ou em casa. Após trabalhar em um programa de monitoramento de onças para preservar a espécie, a veterinária relata a semelhança entre o comportamento dos felinos selvagens e domésticos: “são limpos, exímios caçadores, mantêm a organização social, são educadores e prezam seu descanso.”

A convivência de pessoas com animais silvestres também é possível. “Devemos entender apenas que temos de respeitar os limites”, alerta a médica, ao descrever o animal como “fascinante”. “Ficamos admiramos com a beleza com que eles saltam e com o silêncio que eles se movimentam.”

VIVA COMO UM GATO
Indiscutivelmente, quem se relaciona com os felinos e é capaz de compreender as lições que eles têm a ensinar, consegue aproveitar mais a vida. Pessoas que criaram seus hábitos a partir da convivência com os bichanos, como a artista Giselle Maria, reforçam os principais benefícios de viver uma vida de gato:

1° Observe e crie estratégias antes de colocar um plano em prática;
2° Agarre-se à sua caça, capture seu prêmio, seja um projeto pessoal ou profissional;
3° Demonstre e viva intensamente sua felicidade, seja verdadeiro;
4° Caia em pé depois de uma queda alta, levante e siga em frente;
5° Seja gentil e amoroso, mesmo passando por dificuldades;
6° Livre-se das coisas que não fazem bem, transmutando a energia (segundo a filosofia Xamã, gatos convertem energia negativa em positiva por isso têm a mania de roçar seu corpo nos humanos);
7° Descanse da vida corrida, durma e recarregue as energias;
8° Não atrapalhe o próximo (gatos raramente interferem na vida dos donos, a inteligência os impede de fazer atos que modifique o cotidiano. Por isso, são chamados popularmente de “donos do próprio nariz”);
9° Seduza para conquistar o que deseja (os felinos usam a malevolência do corpo e olhar para obterem o que querem);
10° Ame o próximo pela essência e não por sua aparência ou posição social.

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